Crise sem fim: Atlético de Alagoinhas perde de virada para o CSE e chega a 13 jogos de jejum
19/04/2026 - 18:54
O que se viu no Estádio Antônio Carneiro no último domingo (19) foi o retrato fiel de um clube à deriva. Em uma tarde de futebol pouco convincente, o Atlético de Alagoinhas aumentou sua crise ao ser derrotado, de virada, pelo CSE por 2 a 1. O resultado não apenas mantém o time na lanterna do grupo, mas estende uma marca vergonhosa: já são 13 partidas sem saber o que é vencer, coincidindo com o período em que o clube passou a ser gerido como uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O primeiro tempo foi o reflexo do desespero das duas equipes. Com muitas alterações no time titular e um desentrosamento latente, o Atlético até demonstrava mais disposição que em jogos anteriores, mas pecava na falta de qualidade técnica. Após um intervalo sem gols, o Carcará voltou aceso. Logo aos 4 minutos, o goleiro Jeferson, do CSE, evitou o que seria o primeiro gol atleticano após chute de Anderson.
A insistência premiou a torcida aos 7 minutos: Juan Xavier cruzou com precisão para João Leonardo, que subiu mais alto que a zaga alagoana para cabecear e abrir o placar. Naquele momento, esperava-se que o time da casa controlasse a partida, mas o que se viu foi um uma queda de produção e o crescimento do visitante.
O domínio do meio-campo passou para o CSE, que sufocou o Atlético até chegar ao empate aos 35 minutos, com Celestino escorando para Thiago Magno marcar. O golpe de misericórdia veio aos 42: após uma cobrança de falta que explodiu na trave, Anderson Lima aproveitou o apagão do sistema defensivo, e o rebote para virar o jogo e selar o destino do Carcará em sua própria casa.
O divórcio entre a direção do clube a “SAF” e a cidade ficou evidente no borderô: apenas 149 torcedores pagantes estiveram presentes — 134 a menos que no compromisso anterior. Enquanto a torcida abandona o barco, a diretoria e a comissão técnica buscam culpados externos.
A grande alegação da vez é a falta de disponibilidade ilimitada do estádio municipal para treinamentos. No entanto, o argumento esbarra na lógica: sendo agora uma empresa privada (SAF), cabe aos seus proprietários estruturar locais adequados para o trabalho, em vez de depender exclusivamente de uma concessão pública. Vale lembrar que, recentemente, a própria diretoria transferiu mando de campo por conveniência, o que enfraquece a tese de "FALTA DE OPÇÃO".
O Atlético volta a campo no próximo domingo (26), contra a Jacuipense, no estádio de Pituaçu. O confronto é tratado como "vida ou morte" para as pretensões do clube, que busca sua primeira vitória na competição para tentar sair da última colocação e estancar a sangria que ameaça o futuro do Atlético.
Escalações:
Atlético de Alagoinhas
Técnico: Junior Amorim
Mateus; Jeferson (Jailton), Guilherme, Rafael e Anderson; Henrique, Everson Ribeiro (Everton Felipe) e Juan Xavier; Higor Fárias (Gleidysson), João Leonardo (Hernandes) e Ruan Ribeiro (Douglinhas).
CSE
Técnico: Erivaldo Pedra.
Jeferson; Lima, Geovani (Renê), Joedson e Samuel (Celestino); Claudevan, Jean Cleber Jonas Cabral (Tarcisio): Tiago Magno (João Rocha), Michel e Anderson Lima).