Jaldice Nunes defende o empreendedorismo, as mulheres e as pessoas com deficiência com foco em uma teoria aplicada
10/03/2026 - 17:22
Com pouco tempo de retorno às atividades parlamentares, afastada por motivo familiar de saúde, Jaldice Nunes já organiza uma comitiva de mulheres para participar de evento do Sebrae em Salvador, voltado para o empreendedorismo feminino. A vereadora, formada em Administração com várias especializações na área, só consegue pensar a teoria na prática. Hoje seu nome está indissociado do empreendedorismo não só na cidade como na região. A semana dedicada ao tema que ocorre em novembro existe por conta de emenda parlamentar de sua autoria. Ainda figura como liderança feminista e apoiadora de primeira ordem da causa em prol da pessoa com deficiência.
Ela está à frente das iniciativas de valorização da mulher e de combate ao machismo, junto com as demais colegas do legislativo municipal, Jucy Cardoso, Luma Menezes e Raimunda Florêncio. Pensa e incentiva a mulher empreendedora, lógico, mas raciocina de forma pragmática, preocupada com o não funcionamento das DEAMs (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) à noite e nos finais de semana, ao invés recorrer a chavões discursivos. Sua preocupação agora é fazer com que as leis aprovadas sejam cumpridas como o Selo criado para ressaltar as empresas que empregam mulheres vítimas da violência misógina.
Seu lado empreendedor vem do fato de crescer entre a loja de vestimentas da mãe e a lanchonete do pai na praça JJ Seabra, palco central onde ocorria a feira livre da cidade, que ocupava a área entre o Tamarineiro e a Prefeitura. Naquele ambiente, no qual ocorria o maior evento comercial da região, onde produtos e pessoas circulavam intensamente.
Aquela efervescência forjou sua personalidade dinâmica e lhe deu uma perspectiva própria para o entendimento do que é logística e do que é gestão que veio a se fundir ao conhecimento acadêmico mais tarde. Ela acompanhou a sacada do pai que ganhou muito dinheiro vendendo água de torneira ensacada e gelada. Bem como os retalhos de tecidos da loja dos irmãos Caveira e Tonho Piranha, comercializados nas feiras de cidades vizinhas.
Ela aprendeu a olhar para onde ninguém estava olhando e soube logo cedo que isto é mais importante que projetos mirabolantes e impossíveis. Iniciou sua vida no funcionalismo público no SAC - Serviço de Atendimento ao Consumidor, como coordenadora do Programa de Amparo ao Trabalhador. Ali ela aprendeu como a sociedade demanda a força de trabalho e como o trabalhador conduz sua vida profissional - empreende. Para Jaldice, assim como para Karl Marx, o trabalho - força que transforma a matéria-prima - quando chega ao mercado se transmuta em produto. A vereadora entende que empreendedorismo não significa apenas comprar- vender- revender bens e serviços. Ideias são vendidas, carreiras necessitam de logística, investimento e marketing. Por isto ela não entende porque a esquerda resiste tanto a ensinar estas técnicas na escola.
Jaldice conta que, quando estava acompanhando seu filho em delicado tratamento de saúde no interior de São Paulo, se deparou com um grupo de alunos que debatiam animadamente e com desenvoltura. Quando elogiou os jovens, ficou sabendo que eles tinham aula de oratória e de empreendedorismo. Por saber que os resultados são benéficos, ela vai lutar para que a lei de sua autoria neste sentido seja colocada em prática.
Como seu pai que transformou a água de torneira em produto, agregando valor, Jaldice simplifica as coisas. Para o empreendedorismo ser incentivado, necessita-se de capacitação e de um espaço de interação e de troca de conhecimento e experiência e depois, linha de crédito. Mas o governo federal desperdiça recursos que poderiam impulsionar projetos que geram riqueza com o Pé-de-Meia, que não produz nada. E está muito atenta para formas de empreender pela internet e como este ambiente deve dialogar com a formas convencionais de produzir, comercializar e servir. Enquanto seu lobo não vem, criou a medalha mulher empreendedora e do jovem empreendedor.
O segundo emprego de Jaldice Nunes foi simplesmente encarar a balbúrdia da Central de Abastecimento. Sabia que uma mudança estrutural era urgente como até hoje é. Um novo galpão de grandes dimensões se faz necessário para abrigar todos que estão amontoados em barracas. Ou que se construa uma nova central para resolver a ocupação indevida dos espaços, resultado da aglomeração. Sabendo de todos estes problemas estruturais, ela resolveu gerenciar as pessoas que trabalham no complexo comercial. Então vieram as feiras de saúde, os cursos de capacitação e o Credi Bahia, as apresentações de forró e até um telão para os feirantes assistirem à copa do mundo de futebol. Encaminhou reforma da feira do Caçuá e do Mercado de Carne e requalificou o Mercado das Galinhas.
Como diretora de Cultura, Jaldice teve especial atenção com o Mercado do Artesão que foi inteiramente reformado e incluiu entidades como a Casa do Poeta e o Clube da Amizade. Esteve em Brasília trabalhando no Gabinete do deputado Federal Paulo Azi. Se candidatou em 2020 a vereadora, venceu com 953 votos, nas últimas eleições teve 1184 votos. Entre as leis de sua autoria, só para citar alguns exemplos, estão as que instituem: o Banco de Óculos, a Semana do Meio Ambiente, a do empreendedor e do empreendedorismo feminino, a inclusão de conceitos de empreendedorismo na rede municipal de ensino, a criação do Fundo Municipal de Políticas para as Mulheres, a semana municipal da prevenção e combate as doenças oncológicas, o dia municipal do Escritor, o selo “Quebra-Cabeça” para as empresas que empreguem pessoas com transtorno do espectro autista, de seus pais, cônjuges e responsáveis. Criou a Medalha Maria Feijó para incentivar a produção literária e atuações relevantes em diversas áreas sociais.
Jaldice Nunes tem uma maneira própria de ver e de atuar no movimento feminista. Ela valoriza e ressalta a função de mãe, considera-a uma missão divina, o que vai na contramão do abortismo. Não apoia as ideias de uma mulher só pelo fato de ser mulher, quebrando todo e qualquer corporativismo. Ressalta o fato de homens e mulheres serem diferentes e complementares, o inverso da tendência de masculinização da mulher e emasculação dos homens. Acha normal uma mulher votar nos homens e vice-versa. Tanto que fará campanha para ACM Neto, Paulo Azi, João Roma e Ângelo Coronel. É feminista de direita e dialoga abertamente com as feministas de esquerda. Valoriza a conquista de espaços para as mulheres como extensão do respeito humano natural e não como forma política de se sobrepor aos homens e às demais pautas da sociedade. Preocupa-se com as violências de gênero política e financeira. E prevê que teremos uma mulher como prefeita da cidade, logo após Gustavo Carmo.
Por Paulo Dias