Thor de Ninha como novo líder da bancada do Governo quer mais entendimento que discursos
27/02/2026 - 21:46
Para compreender os objetivos de Thor de Ninha como líder da bancada do Governo na Câmara de Vereadores, sucedendo José Edésio, é preciso percebê-lo como pesquisador na área de administração pública e professor universitário. Suas preocupações são mais abstratas e conceituais do que aquilo que se pensa comumente a respeito. Atenta-se mais em formar uma visão do projeto administrativo para a cidade entre os membros da bancada governista do que em montar estratégias de defesa do executivo - não que elas não sejam importantes, em termos lógicos e não cronológicos.
Claro que saber quais os pontos fortes da administração e quais os seus pontos fracos é fundamental para a narrativa que se deve seguir, para afinar o discurso no espaço legislativo. No entanto, Thor deseja que o grupo vá mais além e com mais profundidade. Entender a administração significa, para ele, se apropriar antes de como a aliança que está no executivo pensa a cidade e o que almeja para o seu futuro. Ao invés de falar em potencialidades apenas, ele pensa em identidade. Quem é Alagoinhas e o que deseja para si enquanto um agrupamento ordenado de pessoas por uma história e uma cultura compartilhadas.
Esse é o exercício civilizatório e de cidadania que deve ser realizado por todos constantemente. Perguntas para as quais não existe uma resposta única e definitiva. Thor entende que o governo de Gustavo Carmo está marcado pela união na diferença e quer dar resposta para os desafios tecnológicos postos de forma global. E tem como origem um novo modelo administrativo, que valoriza a criatividade como quando divide a Secretaria de Infraestrutura em duas, a Secretaria de Manutenção na Secretaria de Obras e Projetos.
O vereador afirma também que a junção com a participação popular, por meio da Superintendência de Orçamento Participativo, faz da atividade de planejamento - teórica e criativa - um exercício de sensibilidade na escuta, dando articulação a pensamentos desconectados e parciais e formando um diagnóstico mais próximo da realidade de quem vivencia os problemas - pensamento em mosaico.
Essa preocupação, diga-se, mais epistemológica, deve estar presente no executivo, em primeiro lugar, e ai sim, ser percebida pelos vereadores da bancada. Dessa maneira se evitam discussões superficiais, o excessivo pragmatismo e imediatismo, a redundância de esforços e recursos. Se tem o ethos para o pensamento mais sistêmico ou melhor, mais holístico e integral. Entender que educação e turismo passam pela cultura. Que saúde depende de uma cidade saudável, sem estresse, com oportunidades e acessibilidade e inclusão. Que obras precisa dialogar com a assistência social, o meio ambiente e ter uma estética inspirada em nossas origens. Que o humano se sobressaia, esse é o investimento mais caro, mas que dá sentido à tudo, define Thor.
Saindo deste campo mais conceitual, Thor pretende aproximar mais os vereadores dos técnicos das secretarias, em busca de conhecimento da máquina pública; Ele percebe também como imprescindível um trabalho com a Secretaria de Comunicação, para que esta municie os vereadores com informações que vão além do release diário. Pensa em curso de capacitação, todo mundo de volta para a sala de aula, bonitinhos. É preciso entender que o vereador é um estudioso da sociedade e do executivo.
O trato com a oposição deve ser também revisto. Para Thor, os três, vereador e vereadoras, Luciano Almeida, Luma Menezes e Jaldice Nunes, são parceiros nessa busca de criar uma concepção de cidade. O novo líder do governo entende que a criticidade é o elemento básico de transformação social, é ela que está em falta no sistema educacional. Se queremos nosso estudante com senso crítico e autonomia, o legislativo tem que ser o primeiro exemplo.
O legislativo é um espaço privilegiado para mostrar a esses jovens que a mudança da realidade de opressão, machismo, racismo, homofobia, preconceito social, religioso etc, deve ser removida por esta nova práxis que acontece primeiro no pensar dentro de um materialismo histórico. "Queremos que o vereador de oposição, na medida do possível, venha construir junto. Devemos sair todos desse lugar comum de pragmatismo e imediatismo. Temos o dever de mudar a forma pejorativa com que a atividade política é percebida".
Para Thor de Ninha, ele foi escolhido para o posto de liderança pela experiência de quatro mandatos, parte dela forjada na oposição, inclusive a oposição ao governo Joaquim Neto, hoje seu aliado. Ele não percebe a escolha como um gesto de maior aproximação do prefeito Gustavo Carmo ao PT, pois o partido está estruturalmente ligado à gestão e é parte importante do projeto.
Perguntado se o fato do recente empréstimo contraído, mesclando obras estruturantes com outras ligadas à manutenção, não correr-se-ia o risco da administração ser vista como se não tivesse entregue os avanços que prometeu, que só preservou o que existia e isto ser encarado como fracasso e nessa hipótese, poderia haver rompimento do PT com a coligação. Thor de Ninha disse que nem assim o seu partido abandonaria o projeto. "Estamos juntos para o sucesso e para as dificuldades. Ademais tenho a convicção de que os recursos serão bem utilizados, trazendo inovações como a ligação do centro da cidade com o Pedro Braga por meio da avenida Leste. O parque Maíra será conectado à BR 101. As intervenções no patrimônio histórico darão um novo ânimo para a cultura e fortalecerá o turismo incipiente, mas promissor. A vida de milhares de pessoas será renovada com a pavimentação de 39 ruas. A macrodrenagem valorizará centenas de imóveis. O fluxo do centro para avenida Murilo Cavalcante abrirá um novo espaço de crescimento da cidade. Após esses três próximos anos, Alagoinhas será uma nova cidade", anima-se o líder do Governo em sua estreia.
Falando sobre o futuro com a reeleição de Gustavo Carmo, Thor de Ninha vê uma nova geração de líderes despontando, oxigenando a cena política, que é tanto inevitável como parte dos ciclos geracionais da vida. "Podemos ter uma prefeita futuramente, um prefeito negro. As mulheres estão conquistando os espaços que lhes foram negados por séculos, o mesmo para os pretos, os homossexuais. Teremos uma cidade com menos preconceitos em 2032 ou 2034, depende do projeto de lei que unificará as eleições dos entes federativos. Eu mesmo me preparo para colocar meu nome à disposição dos alagoinhenses, terei um bom período de serviços prestados até lá, é um caminho inevitável de crescimento".
Por Paulo Dias