Leandro Sanson, totalmente engajado com a política local
20/02/2026 - 12:10
Do que mais se queixaram sobre a candidatura de Leandro Sanson a Prefeito em 2024 foi seu baixo engajamento no debate público e ele ficou em terceiro lugar na disputa, imagine. Essa queixa, para o líder do núcleo municipal do Partido Novo, soa estranha porque a proposta do Novo é exatamente esta, trazer pessoas de fora da política para a cena pública, estas movidas por um genuíno espírito de indignação e com reputação ilibada.
Aqui cabe uma pergunta: será que esse foi o real motivo ou Alagoinhas em política é xenófoba e por acréscimo ocorreu um certo racismo reverso? Considerando que Sanson é sulista, branco e bem sucedido. Mas já está na cidade há 15 anos e mostrou na campanha conhecer bem os problemas locais.
Agora o advogado e coordenador do curso de direito da Faculdade Santíssimo Sacramento veio a forra. Está dando a volta por cima no que ele chama participação de resultados e vem se torando figura central na política local com seus processos judiciais quanto a desmandos e abusos. Ele, junto com o grupo de militantes do Novo, que conseguiu afastar por meio de liminar exarada pelo juiz da Vara da Fazenda Pública de Alagoinhas, Cleto da Banana da presidência da Câmara de Vereadores. A liminar foi derrubada em primeira instância, mas cabe recurso.
Sanson saiu-se como aquele que teve a coragem de fazer o que nenhum alagoinhense de nascimento fez e deixou exposta a inconstitucionalidade que se pratica na cidade. O professor de direito deu aula, mostrou que a alternância de poder é pilar da democracia, evitando vários vícios como o abuso do poder econômico, falta de transparência, o monopólio do debate público, pois o presidente de uma casa legislativa dita a pauta. Sanson não citou explicitamente, mas também abre-se margem para a corrupção. Cleto conseguiu a unanimidade dos votos para se reeleger para um terceiro mandato - pelo que se fala - desbancando o candidato do prefeito Anderson Baqueiro. Esta força demonstrada na queda de braço mostra que Sanson tem razão.
Leandro Sanson enfrentou recentemente um outro poderoso intocável, o Deputado Federal Joseíldo Ramos. Conseguiu retirar os outdoors espalhados na cidade dando conta do que este fez e do que não fez. O motivo: propaganda eleitoral antecipada. Mas o deputado chegou a divulgar como conquista do seu mandato parlamentar a implantação do hospital regional, algo que está fora da alçada do legislativo, portanto fake News?
Mais recentemente, o líder do Novo obrigou, também por ação judicial, a Câmara de Vereadores a publicar todos os projetos de lei em seu site institucional, destacando informações sobre a tramitação, votação, motivo de eventuais vetos e de derrubada de vetos, o nome dos votantes em favor ou contra a demanda. A iniciativa teve como fundamento o princípio constitucional da transparência, reforçado pela de Lei de Acesso à Informação Lei 12507 de 2011.
Todos os questionamentos jurídicos foram realizados em conjunto com os membros do Novo Jardel Barros, Jean Carlos e Josenildo Santos. Com pesquisa de Josenilton, Sanson prepara-se para mais uma ofensiva jurídica, tentará provar a ilegalidade da cobrança de 80% da tarifa de água, como taxa do uso de rede esgoto na rua do Catu, pois esta não está conectada a uma estação de tratamento, no caso o percentual legítimo é de apenas 40%. Ele pensa também em fazer algo com relação a irregularidades percebidas na Zona Azul e considera que a falta de renovação da frota do transporte coletivo público pode se tornar matéria para apreciação do judiciário.
Sobre a atual gestão, Sanson foi categórico, disse que o governo municipal gasta muito e mal, com ações paliativas e realizações pontuais, pouco significativas, superestimada por muito esforço de marketing. O professor analisa que faltam mais articulação e mais organicidade dos projetos desenvolvidos. E para ele é patente a ausência de planejamento. Tudo é feito a partir de uma "mente brilhante", que governa seu "feudo" (secretaria, departamento) sem diálogo com os demais.
O recente empréstimo contraído pela Prefeitura foi bastante criticado pelo líder do Novo. Ele se mostrou indignado pela ausência do secretário de Finanças na Audiência Pública que explicou ao cidadão a operação de débito, e mais ainda por seu representante nem sequer saber informar qual o nível de endividamento do município. "Ele (Gustavo) jogou uma bomba no colo dos próximos cinco prefeitos, já que débito tem dois anos de carência e será pago em 20 anos, com parcelas mensais em torno de R$ 1 milhão."
Para o advogado, o centro da cidade está caótico, sem acessibilidade, congestionado, sem estacionamento e sem área de convivência. "Você entra no centro da cidade para comprar algo e quer imediatamente sair dali". Para Sanson falta urbanismo e paisagismo, considerando que o ambiente é feio e sem atratividade, com lojas e mais lojas com fachadas desbotadas. "Não custa pensar em um programa de incentivo fiscal para que os lojistas cuidem da pintura dos seus empreendimentos". No entorno da rodoviária com significativos equipamentos públicos, "nota-se que não houve nenhum projeto urbanístico, não tem estética, não tem vias de acesso entre os prédios, não existe uma área de estacionamento central, tudo ficou meio que espremido, acanhado. Na JJ Seabra, o passeio foi elevado de maneira que as pessoas têm que se abaixar para não bater a cabeça nos galhos das árvores".
Leandro Sanson prevê que a Central de Abastecimento e o Mercado do Artesão possam cumprir um grande papel na humanização do centro da cidade, basta que se usem os recursos com criatividade com o apoio de arquitetos, urbanistas e paisagistas.
Quanto à saúde, ele teme que o impacto do hospital regional possa ser hiperdimensionado, já que receberá demanda de 23 municípios e que se descuidem da atenção básica. Na educação, observa uma lentidão no avanço da escola em tempo integral e uma paralisia quanto à educação profissional ligada à novas tecnologias. Ele disse que o plano de governo do Novo está à disposição com ideias como a feira de empreendedorismo e inovação, e a telemedicina.
Conversando sobre os eixos de crescimento da cidade, assim como a engenheira Maria da Graças, secretária da SEOP, Sanson achou interessante a ideia da interligação, por uma nova avenida, da Calú com a rodovia que margeia a UNEB, o hospital regional e o Parque de Exposição. Ele lembrou que já existe ali o condomínio Jardim Europa, e que basta conversar com incorporadoras imobiliárias e fazer estudos. É possível que seja uma vertente de crescimento urbano como foi a Avenida Paralela para Salvador, evitaria que a cidade se desenvolva à beira de rodovias.
Por Paulo Dias