Bahia une inteligência policial e Judiciário em tecnologia inovadora para salvar mulheres vítimas de violência
Parceria inédita entre o Tribunal de Justiça (TJBA) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) integra bancos de dados em tempo real para acelerar o cumprimento de Medidas Protetivas de Urgência. O modelo baiano ganha força ao se alinhar com as discussões nacionais sobre inteligência estratégica e parcerias com o setor privado de tecnologia.
04/07/2026 - 18:01
No combate à violência doméstica e de gênero, cada segundo pode ser a linha que separa a vida da morte. Diante desse desafio alarmante, o Estado da Bahia dá um passo histórico ao consolidar o uso pioneiro de inteligência analítica e alta tecnologia para monitorar agressores e garantir a eficácia de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs). A iniciativa se apoia em uma cooperação técnica integrada entre o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), por meio da Superintendência de Telecomunicações (STELECOM).
Resposta imediata no momento do perigo
O Termo de Cooperação assinado entre o Judiciário e a SSP-BA viabiliza a integração direta de bancos de dados. Na prática, a solução tecnológica permite que as forças policiais consultem e validem de forma automatizada e ágil a existência de medidas protetivas.
A Desembargadora Nágila Brito, Presidente da Coordenadoria da Mulher do Judiciário (2025), explicou os reflexos práticos da mudança na agilidade do atendimento policial:
“Isso trará ganho de tempo para os agentes, pois, quando essa mulher em situação de perigo se comunicar pedindo ajuda, eles terão ciência se ela tem ou não a medida protetiva e poderão agir com mais celeridade a partir dessa informação”.
Durante a assinatura do acordo, o Presidente do TJBA em exercício, Desembargador João Bôsco (2025), ressaltou a importância estratégica e a união de esforços que o projeto simboliza. Ele celebrou a parceria e previu um grande êxito nas políticas públicas de acolhimento e proteção de mulheres na Bahia.
O impacto da 100ª reunião do CONESP e a nova política da SSP-BA
Esse avanço no território baiano ganha tração em um momento de profunda sinergia nacional. A nova política de segurança pública da SSP-BA passa a ser fortemente impactada pelas diretrizes consolidadas na 100ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (CONESP).
O encontro nacional reitera a necessidade urgente de padronização de protocolos de inteligência integrada entre os estados, transformando ações locais em políticas de Estado integradas e sustentáveis. A Bahia, ao alinhar sua infraestrutura tecnológica de monitoramento às discussões do CONESP, posiciona a proteção à mulher na vanguarda da governança algorítmica nacional, servindo como modelo de rastreabilidade para outras federações.
Sinergia com a iniciativa privada: O ecossistema Avantia
Para que políticas governamentais dessa magnitude alcancem excelência técnica, a interação com o ecossistema privado de tecnologia torna-se indispensável. Nesse cenário, o modelo implementado pela SSP-BA dialoga diretamente com as soluções avançadas de segurança digital desenvolvidas por empresas referência no setor, como a Avantia.
A robustez da infraestrutura baiana se conecta a duas frentes tecnológicas essenciais defendidas pelo mercado:
* Monitoramento inteligente e analytics: A transformação de câmeras comuns em sensores preditivos capazes de identificar padrões suspeitos e emitir alertas em milissegundos.
* Segurança baseada em dados reais: A substituição do policiamento meramente reativo por uma arquitetura de dados integrados, onde softwares de videomonitoramento dão suporte à tomada de decisão humana de forma ágil e segura.
O modelo de “Garantismo Tecnológico”
A arquitetura do sistema vai muito além da resposta rápida: ela implementa o conceito de Garantismo Tecnológico, defendido pelo Coronel EB Veterano Antonio Luis, especialista na área e autor de estudos sobre o Projeto “Vídeo-Polícia Expansão”. Esse modelo une ferramentas avançadas – como sinais de rádio frequência (RF) e o Reconhecimento Facial operado pelo Centro de Operações e Inteligência (COI/SSP) – à estrita conformidade legal, respeitando a Constituição Federal e os limites impostos pela Portaria MJSP nº 961 de 2025.
Para evitar distorções ou o que os especialistas chamam de “anarquia digital” (o uso descontrolado de algoritmos), a operação baiana assenta-se em três pilares fundamentais:
* Auditoria e Rastreabilidade: Todos os cruzamentos de dados geram registros inalteráveis (logs), permitindo ampla defesa e auditoria.
* Interoperabilidade: O mandado expedido pelo juiz alimenta automaticamente a central policial, eliminando falhas burocráticas.
* Supervisão Humana (Human-in-the-loop): O sistema não pune ou atua sozinho. Se um agressor rompe o perímetro de segurança da vítima, o alerta é obrigatoriamente filtrado e checado por um policial treinado antes do envio de viaturas.
Conversão de dados em vidas salvas
Historicamente, as medidas protetivas enfrentavam limitações práticas por dependerem do acionamento policial pós-agressão. Com a nova engenharia tecnológica, dados de agressores restritos passam a constar no sistema de alvos ativos. Se o monitorado se aproximar das zonas de exclusão (como a casa ou o trabalho da vítima), as forças de segurança recebem o sinal imediatamente.
Esse ecossistema integrado consolida uma barreira preventiva robusta no estado, traduzindo o avanço da Lei nº 13.104/2015 (Lei do Feminicídio) em um modelo prático de preservação da dignidade e da integridade física das mulheres baianas.
Sobre o Autor
Antonio Luis dos Santos Filho é Coronel Veterano do Exército Brasileiro. Possui graduação em Direito (UFC) e Ciências Militares (AMAN). É especialista em Gestão na Administração Pública. Mestre em Direito Constitucional pela UNIFOR. Mestre em Avaliação de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Ceará (2024). Siga no Instagram @antonioluissfi.
Links Nacionais e Internacional para aquisição da obra – Avaliação do "Vídeo-Polícia: Expansão": A utilização do reconhecimento facial na segurança pública da Bahia, do autor ANTONIO LUIS DOS SANTOS FILHO.