Atlético de Alagoinhas: do rebaixamento vexatório ao abandono do Carneirão
18/02/2026 - 23:57
A queda para a segunda divisão do Campeonato Baiano de 2027 entra, até então, para a história como a pior campanha do Atlético de Alagoinhas desde a sua fundação. Cinco derrotas, dois empates e apenas três pontos conquistados em 24 disputados. Um desempenho que não deixa margem para justificativas técnicas ou atribuição ao acaso: foi fracasso esportivo e má administração.
Mas como se não bastasse o rebaixamento, a “diretoria” conseguiu ampliar a crise ao decidir transferir o mando de campo da próxima partida de Alagoinhas para o Estádio Metropolitano de Pituaçu, deixando de lado o tradicional Estádio Antônio de Figueiredo Carneiro, o Carneirão - casa histórica do Carcará. O que era apenas um desastre dentro das quatro linhas tornou-se também uma crise de identidade fora delas.
Com o rebaixamento histórico e gestão questionável, a campanha ridícula que levou o Atlético à Série B do Baianão não foi obra do acaso. Esta foi resultado de planejamento falho, decisões equivocadas e um futebol que jamais convenceu.
O torcedor suportou derrotas, atuações apáticas e a lanterna da competição. O que talvez não estivesse preparado para suportar fosse a sensação de distanciamento da própria diretoria, que, ao invés de se aproximar da cidade no momento mais delicado, optou por afastar o clube de sua casa, para assim fugir das críticas.
Pituaçu não pode ser justificada como estratégia financeira, porque o Atlético não possui torcida lá, mas soa forte que essa atitude é um desrespeito e/ou desprezo ao torcedor. A ida para Pituaçu pode até encontrar justificativas administrativas: melhor estrutura, expectativa de maior renda ou acordos comerciais. No papel, pode indicar ser estratégico. Mas, na prática, significa um flagrante desrespeito ao torcedor alagoinhense que espera o ano inteiro para ver em sua cidade as principais forças do futebol baiano, como Esporte Clube Bahia e Esporte Clube Vitória. São jogos que movimentam a economia local, fortalecem a identidade do clube e aproximam a comunidade do time.
Ao retirar essa partida de Alagoinhas, a “diretoria” não apenas muda um endereço. Ela fere o sentimento de pertencimento, e a coerência fica aonde?
A decisão levanta questionamentos inevitáveis: Se Pituaçu oferece melhores condições, o clube também vai treinar lá? A Série D do Campeonato Brasileiro será disputada na capital? Ou o Carneirão será utilizado apenas quando for conveniente?
Coerência é o mínimo que se espera de uma "gestão" que já falhou no campo esportivo.
O Município de Alagoinhas figura entre os principais patrocinadores do clube. Diante disso, a discussão deixa de ser apenas esportiva e passa a ser institucional.
É legítimo questionar: Qual o retorno para a cidade? O patrocínio público contempla a manutenção dos jogos em Alagoinhas? O estádio municipal continuará à disposição irrestrita da "diretoria"?
Não se trata de impedir decisões administrativas, mas de exigir contrapartidas claras e respeito à comunidade que sustenta o clube, mas sim de um precedente perigoso, pois se essa prática se tornar recorrente, o Atlético corre o risco de enfraquecer sua base local e diluir sua identidade. Clubes do interior sobrevivem do vínculo com sua cidade. Romper esse elo em nome de soluções imediatistas pode custar caro no futuro.
Se o rebaixamento já machuca, a perda do mando em casa dói ainda mais. Essa “direção” do Atlético de Alagoinhas precisa decidir o que quer ser: um clube enraizado em sua cidade ou uma instituição itinerante e nômade, movida apenas por conveniência.
O TORCEDOR, QUE JÁ SUPORTOU A PIOR CAMPANHA DA HISTÓRIA, MERECE MAIS DO QUE SILENCIO. MERECE EXPLICAÇÕES, COERÊNCIA E, ACIMA DE TUDO, RESPEITO.